Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Branco

O blog vai descansar por algum tempo. Sei que ele está parado, às vezes não sei o que fazer. Talvez seja tempo de reflexão e um pouco mais de trabalho. Distancio de algumas coisas quando são menos necessárias.

Quebrarei o grafite sobre essas primeiras folhas. Volto já para continuar a história.

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Margot e o casamento


Sou fã da atriz Nicole Kidman, e depois de louvá-la com a atuação no filme As Horas, interpretando Virginia Woolf e ganhando um Oscar por essa interpretação, tenho outra enorme felicidade ao vê-la em Margot e o casamento, no papel de uma escritora de contos. O filme não mostra com clareza que ela escreve contos, nem abre num leque o que ela faz ou deixa de fazer sobre este trabalho, mas mostra uma Margot ácida, confusa, oscilante, que vai, com o filho, passar alguns dias na casa da irmã para o seu casamento e, assim, mexer com a vida de todos. Pauline (Jennifer Jason Leigh) se casará com um músico frustrado (Jack Black) e Margot pede para que ela não faça isso. É claro que a história não gira apenas em torno dessa insistência e de como Margot vê o futuro cunhado, mas também dos medos e desejos de cada um, dos pensamentos e do jeito de cada um, daquilo que é preciso viver totalmente, sem receios. As amizades são sempre perturbadas, os diálogos são ricos em originalidade, você não percebe aquilo como um filme, mas cotidianos verdadeiros, pessoas verdadeiras, sentimentos que são assim, puramente simples.

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

O hábito

Escrevi isso há algum tempo e gostei:

"Sempre cortava a fatia de bolo em quatro pedaços iguais e os espetava com a ponta da faca. Um hábito que só irritava outros convivas. Talvez o motivo daquela irritação fosse a maneira graciosa com que levava o doce à boca sem se incomodar com a parte dentada do talher. Seus dentes não se arrastavam sobre o metal nem os lábios eram cortados. O bolo era posto delicadamente sobre a língua e mastigado com um gole de vinho."

Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Conversa na página

Francine Prose abre o capítulo Diálogos com uma verdade indiscutível:


"Uma das coisas que me lembro de ter ouvido quando estava começando a escrever foi a seguinte regra: não se deve, e na verdade não se pode, fazer diálogo ficcional — conversa na página — soar como fala real. As repetições, expressões sem sentido, hesitações e monossílabos disparatados com que expressamos hesitação, juntamente com os clichês e banalidades que constituem tanto da conversa cotidiana, não podem e não devem ser usados quando nossos personagens estão conversando. Em vez disso, eles deveriam falar com muito mais fluência do que o fazemos, com maior economia e certeza. Diferentemente de nós, deveriam dizer o que têm em mente, ir direto ao ponto, evitar circunlóquios e digressões. A idéia, presumivelmente, é que o diálogo ficcional deveria ser uma versão 'melhorada', arrumada e depurada da maneira como as pessoas falam. Melhor que o diálogo 'real'."


Concordo com a escritora e acho terríveis aqueles livros com diálogos forçados, regionalistas, infantis ou mal escritos, que passam, ou pelo menos tentam passar, a idéia coloquial de conversas entre personagens. Nada mais sensato que escrever diálogos limpos, de um modo que deveria ser o certo e comum.



Para ler como um escritor (Jorge Zahar Editor), de Francine Prose, está à venda em todas as boas livrarias e é um ótimo guia tanto para escritores como para leitores. Capítulos muito abrangentes de leitura fácil e gostosa, exemplos inteligentes e ótimas dicas. O que quase estraga a edição é o posfácio, uma tentativa de reproduzir o trabalho de Francine com exemplos da literatura brasileira — tudo muito inútil na minha opinião. Mas o resto é precioso, livro indispensável na estante.

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Rosa

"Rosa não gostava da cor rosa, por isso usava só roupas azuis. As demais cores não lhe faziam tanto sentido; ou eram apagadas demais ou vibrantes demais. Na maioria dos dias, Rosa usava um vestido de algodão azul-pinico que não condizia com sua única década de vida, mas ela pouco se importava. Gostava das roupas antigas, das jóias da avó, da pintura nos olhos da tia, dos sapatos lustrosos da mãe, e seus grandes e admirados olhos azuis apenas acentuavam seu gosto pela cor.

Um dia, ela ganhou um presente. No seu décimo primeiro aniversário, Rosa recebeu da avó um belo pacote vermelho ornado com fitas escuras. Não era pesado, parecia interessante. A menina abriu o presente e arregalou os olhos, espargindo um pouco do próprio céu ocular. Tinha à sua frente um reluzente violino de madeira carmim dentro de um estojo de veludo azulado. Um arco de madeira posicionava-se em um dos lados do estojo, revelando a crina dourada. Rosa não sabia o que fazer, estava maravilhada, como se uma poesia estivesse ali para ser pega com as mãos."


Trecho de Rosa, do livro Esdrúxulas.

Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Dia do trabalho

E eu tomando chá às onze horas da manhã. Não está frio, mas está agradável. Sol, nuvens, brisa gelada. Por isso gosto tanto do outono, e espero ansioso pelo inverno.

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Dia do trabalho e eu cheio de coisas para fazer, concluir e começar. Mas não vou fazer nada. Quero pensar, assim é melhor. Se é feriado, por que não aproveitar a preguiça e o chocolate?

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Tenho um livro pronto com 80 minicontos e a cada dia cresce mais a ansiedade em publicá-lo. É um livro mais gostoso e, talvez, mais sério que o Esdrúxulas. Não sei aonde essa ansiedade vai cair, só não quero que se quebre. Por que não existem editores legais que lêem blogs e publicam livros de minicontos?

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Assisti alguns filmes nos últimos seis dias, mas dois me marcaram de forma monstruosa. Agora estou gravando coisas úteis e esboços num pequeno gravador, para então escrever algum dia esse livro moderno e apimentado. Quando? Não sei.

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Saudade do mar deitado sob um céu de nuvens escuras. Saudade daquele perfume. Saudade daquele clima. Saudade daquele som, chocando-se e chocando-se outra vez com as rochas. Estou saudosista demais, culpa da estação.

Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Closer



"Everyone loves a big fat lie."
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Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Palhaçada

"O Brasil começa a se preparar para a mudança ortográfica que, além do trema, acaba com os acentos de vôo, lêem, heróico e muitos outros. A nova ortografia também altera as regras do hífen e incorpora ao alfabeto as letras k, w e y. As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa — uma população estimada hoje em 230 milhões — e têm como objetivo aproximar essas culturas."

Sei que o assunto não é novo, mas só hoje pude saber de algumas coisas dessa "reforma" das quais ainda não sabia. Para mim, uma palhaçada total que nada tem a ver com a aproximação de culturas.

Detalhes e explicações aqui.

A gramática

Falando ainda de Para ler como um escritor (Jorge Zahar Editor), dentro do tópico sobre frases Francine Prose escreveu algo muito real acerca da gramática no processo de revisão de um livro:

"Entre as perguntas que os escritores precisam fazer a si mesmos no processo de revisão — É esta a melhor palavra que posso encontrar? Meu sentido está claro? Pode uma palavra ou expressão ser cortada sem sacrificar nada de essencial? —, talvez a mais importante seja: Isto é gramatical? O estranho é como muitos escritores iniciantes parecem pensar que a gramática é irrelevante, ou que eles estão de algum modo além ou acima dessa matéria, mais apropriada para um estudante primário que para o futuro autor de grande literatura. Ou possivelmente temem ser distraídos de seu foco na arte caso se permitam desviar pelas exigências tediosas do uso da língua. Mas a verdade é que a gramática é sempre interessante, sempre útil. Dominar a lógica da gramática contribui — de uma maneira misteriosa que novamente evoca algum processo de osmose — para a lógica do pensamento."


Confesso que há alguns anos eu me preocupava muito mais com a história que estava escrevendo, a revisão viria muito tempo depois para melhorar o que tivesse sido escrito. Só depois descobri que a revisão não trata apenas de melhorar, mas também aperfeiçoar, cortar, arrumar, deixar gramaticalmente correto, independente do público que aquela história vai ter. Escrever com a preocupação gramatical é antes de tudo um respeito para com a língua, seja ela qual for, sobretudo para se ter páginas bonitas, frescas, fluentes, que proporcionem uma leitura agradável.

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Postando do celular

Sítio calmo e milhões de estrelas no céu. O tempo é só um ponto de vista.